E se você for o próximo Van Gogh?
- Amanda Cunha
- 16 de jun.
- 3 min de leitura

Ao ler isso, é muito fácil pensar “ufa! não vejo a hora!”.
Fazer obras tão famosas quanto as de Van Gogh; ser extremamente conhecido…Ter um museu com o seu nome e com suas obras? Uau!
Mas temos que concordar que esse é apenas o “pós” da vida do pintor. A realidade de quem foi Van Gogh é completamente outra:
Alguém que sempre buscou um propósito maior e que nunca conseguiu se encaixar de verdade. Para muitos de sua época, Van Gogh só era alguém tentando chamar atenção. Tentou preencher o vazio sendo missionário e não foi bem por esse caminho que encontrou o que fazia o seu coração bater mais forte, ainda que muitas das suas obras sejam cheias de referências de fé. Sendo alguém incompreendido, escrevia regularmente ao seu irmão e amigo na esperança de ser alcançado:
“Tanto na vida quanto na pintura, posso efetivamente privar-me de Deus. Mas não consigo, eu, sofredor que sou, me privar de algo que é maior do que eu, que é a minha vida, o poder de criar.” - Vincent
Vincent pintava não porque precisava ser conhecido (entretanto, esse seja o desejo de todo artista e de fato, não era um sentimento ausente no mesmo), mas muito mais porque precisava descarregar suas emoções pelo mundo. Talvez o seu propósito maior não era pintar, era sentir.
“Em suma, quero chegar ao ponto em que digam de minha obra: este homem sente profundamente, e este homem sente delicadamente” - Vincent
Talvez seja por isso que, despedindo-se dessa vida em uma tragédia, não viu o impacto que teria e partiu sendo bem-sucedido no que lhe era proposto para apenas aquele momento.
Vincent certamente não saberia que seria o Van Gogh que conhecemos hoje.
E se nós também nunca soubermos o alcance daquilo que estamos construindo?
E se esse for o destino da vida que fazemos aqui na Terra? E se tudo o que fizermos hoje não seja para esse tempo presente e sim para o próximo? E se tudo o que plantarmos, não formos nós quem colheremos? E se corrermos tanto, perseguirmos nossos sonhos e nos cansarmos, mas no final das contas não formos nós a ver o resultado de todo esse esforço?
Faremos com a mesma satisfação?
Plantaremos com a mesma alegria?
Correremos com o mesmo vigor?
Se realmente pararmos para pensar, a maior parte das coisas que sustentam nossa vida hoje foram construídas por pessoas que nunca nos conheceram. Alguém plantou árvores cuja sombra nunca aproveitou. Alguém escreveu livros para leitores que jamais encontraria. Alguém pintou quadros que achou que nunca os venderiam.
Até porque, ao contrário do que já ouvi, quem tem promessa morre sim!
E talvez tenhamos confundido propósito com recompensa.
Talvez parte do que dizemos abominar em nossa geração ainda encontre raízes em nós: a incrível facilidade de esquecer dos processos.
Achamos que o sentido daquilo que fazemos está no que recebemos de volta. Mas e se o sentido estiver simplesmente na obediência? Na fidelidade? No ato de construir algo que nem veremos pronto?
Partimos sem aviso prévio e quando menos esperamos, damos o nosso último suspiro.
Independente de quantos verão ou ouvirão aquilo que produzimos; independente de quantos aplausos teremos; independente se estaremos no palco ou nos bastidores, a vida é muito mais do que ser assistida por terceiros.
Afinal, que paradoxo seria, nós como estrangeiros e peregrinos, esperarmos alguma recompensa e alegria dessa vida.
"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra." - Hebreus 11:13



Texto incrível!